Acabei de voltar do cinema depois de assistir o tão esperando “Alice in Wonderland”, a versão do clássico já montado pela Disney e agora remontado pelas mãos de Tim Burton. Quer saber o que eu achei? Então ai vai!
“Alice in Wonderland (ou Alice no País das Maravilhas, no português)”. Leia bem esse título. Não é preciso saber muito sobre clássicos Disney para saber que esse é o exato nome da obra de 1985, dirigido por Clyde Geronimi. A já conhecida história da menina que segue um coelho atrasado e acaba caindo em um buraco que a leva para o país das maravilhas agora ganha sua versão dirigida por Tim Burton, certo? Errado. Para os desavisados, a história, que por algum motivo misterioso leva o mesmo nome do clássico, se passa treze anos após a primeira visita de Alice ao país das maravilhas.
OBSERVAÇÃO
A história da versão de Tim Burton para Alice in Wonderland foi baseada no livro continuação da história, o Through the loooking glass. Neste post eu critico tanto a história, mas principalmente as atuações e a visão de Tim Burton para o clássico. Mesmo que essa história realmente exista e parece mais com o livro que o clássico da Disney, a transposição para o cinema foi feita de maneira bem desinteressada.
O filme começa com Alice ainda pequena. Seu pai está em uma reunião de negócios quando a menina atravessa o corredor. Ao leva-la de volta para cama, Alice começa a contar a história de um sonho estranho que teve, um lugar onde lagartas fumam, animais falam e mais um monte de coisas que obviamente nos faz imaginar que aquele era o momento que Alice teria voltado do país das maravilhas pela primeira vez. Treze anos se passam e Alice está indo para uma festa com sua mãe. Durante a festa, Alice descobre que seu par daria início a um casamento arranjado, pedindo sua mão em casamento. Insatisfações e irritações a parte, Alice começa a ver o coelho pelos arbustos. Mais tarde, quando toda a festa para para ouvir Alice ser pedida em casamento, o coelho faz sua última aparição, fazendo a menina deixar o futuro marido no altar.
A HISTÓRIA
Alice cai no buraco do coelho, passa pela líquido que faz encolher, pelo bolinho que faz crescer e, no meio desse cresce e encolhe, algumas vozes começam a se perguntar se essa era a “Alice certa”. Ai que a história começa a tomar forma e um clichezão começa a ser montado. Resumindo: Alice descobre que desde a sua última partida, a Rainha de Copas (A Rainha Vermelha, no original) usa dragões e bestas para fazer toda a população do País das Maravilhas a obedecer e (preparem-se para pare tensa), Alice era “a escolhida” para salvar o país.
SIM MEUS QUERIDOS! A história da versão de Tim Burton para “Alice no País das Maravilhas” é a já conhecida e batida escolha do “herói escolhido”, o “the chosen one”, tudo aquilo que vimos em “Harry Potter” ou em qualquer outro filme de heróis inocentes. E quer que eu piore? A lagarta tem um “pergaminho do oráculo” onde Alice aparece derrotando um dragão da Rainha de Copas com uma espada toda especial (até arma especial o filme tem…). Toda a história passa-se em volta dessa brincadeira de Alice ter que fazer diversas coisas para chegue ao “dia da batalha”, quando a Rainha de Copas e sua irmã, a Rainha Branca (ela não tem nenhum naipe, não perguntem porquê) iriam escolher seus “campeões” para lutar entre si, o dragão do lado de Copas e Alice (vestida com armadura e tudo) do lado Branco.
Ai você me pergunta, “e todo o lado lúdico e metafórico do País das Maravilhas?” e eu respondo, não existe. O filme é o tipico “país massacrado” que espera o “deus que vem de cima” salvá-los de um líder tirano. Quando este “deus” chega, todos duvidam se ele realmente é o escolhido, mas logo depois se tornam amigos e cúmplices dele (e isso inclui o chapeleiro maluco, a lagarta e o gato). E para fechar o maior cliche de todos, tudo aquilo serve para que Alice volte para o mundo real e saiba lidar com seus problemas. É agora que eu choro?
OS PERSONAGENS
ALICE é a tipica heroina inocente. Chega no país das maravilhas sem saber o que está acontecendo, e sem nem lembrar que já tinha ido no país das maravilhas antes. Durante todo filme, Alice se acha “invencível” por acreditar que tudo aquilo é um sonho. Mesmo depois de se beliscar e de ter o braço quase dilacerado por um dos monstros da rainha, Alice ainda acha a mesma coisa. Até o “big end” Alice ainda se acha “no lugar errado”, deixando pro “clímax” no último minuto o momento que Alice vira uma “grande guerreira” e luta bravamente contra a rainha – mas isso só depois de um discurso motivacional da lagarta… zzz…
O CHAPELEIRO MALUCO, personificação mais que esperada de Johnny Depp, é manchado por um último personagem que o ator andou fazendo no cinema. Alguns diriam que é impossível a comparação, mas o chapeleiro é quase irmão de Willy Wonka. Com uma maneira meio “maluca” de ser (o que seria normal), Johnny Depp faz um chapeleiro que tem um sotaque dos mais bizarros possíveis. Toda a “maluquice” programada do personagem (que pode não ser tão infantil quando de Wonka, mas ainda bem boba) toda hora nos remete ao dono da fábrica de chocolates.
A RAINHA DE COPAS é uma pequena mulher que tem uma cabeça enorme. Por não conseguir se dar muito bem com isso, acaba preferindo pessoas com “imperfeições” perto de si. Toda a corte da rainha de copas usa narizes, orelhas, barrigas ou testas enormes e desproporcionais para serem bem tratados. E sua personagem não vai muito além disso. Uma baixinha que não tem muito o que falar além de “cortem as cabeças”.
A RAINHA BRANCA é um mistério no filme. Dá para ver que o personagem foi criada só para ser antagonica à rainha de copas e assim poder criar a luta “do bem contra o mal” que rege o filme. A atuação de Anne Hathaway é bizarra, culpa muito provavelmente da direção (até porque eu amo a srta. Hathaway e sei que um personagem brega desses não deve ter vindo dela). A Rainha Branca banca uma “pompa” na frente de seus súditos, se movendo com os braços como se estivesse flutuando, mas sempre quando pode, deixa a “realeza” de lado. O engraçado é que esta “pompa” depois se mostra como uma verdadeira máscara para seu personagem que a partir de um determinado momento do filme, começa a agir somente deste jeito, até quando ela se relaciona com Alice. Quer dizer, não era melhor assumir a Rainha Branca como uma “lunática” ao invés de mostrar que ela também tem “outro lado” que é esquecido logo depois?
Estes são os únicos personagens que importam na trama. Todos os outros, como todo o resto do mundo das maravilhas são deixados BEM de lado.
Ai que eu começo a me perguntar, seria mesmo necessário envolver a Alice nesse circo que foi criado? O filme de Tim Burton se aproveitou de uma história já construida para fazer uma continuação que não passa de um clichê dos mais velhos do cinema. Se não fosse pelo “pano de fundo” do país das maravilhas, “Alice…” seria mais ums dos filmes sem projeção que toda semana passam pelos cinemas americanos. “Alice” de Tim Burton é um “Alice in Wonderland 2″, continuação cuja regra do “fracasso do segundo filme” se apresenta de maneira bem destacada.
JÁ COMPREI O INGRESSO, E AI?
Obviamente que um filme desse tamanho tem seus lados bons… em tese. Eu poderia ficar horas dizendo como o 3D é muito bem feito e bem produzido. A fotografia de Alice é algo deliciante. E o melhor, o filme não se usa daqueles cliches chatos de personagens espirrando, ou cutucando outros em primeira pessoa: tudo aquele que todo filme 3D sem conteúdo faz só pra ver se o incomodo no espectador vai valer o preço do ingresso. Muitas vezes, os efeitos atrapalham sim o foco em algumas cenas, mas nada que seja muito incomodo.
Eu não posso dizer que Tim Burton “recriou” o País das Fantasias, porque ele é bem colocado de lado. Tudo ali tem todo um traço do original, deixando para o Tim Burton algumas coisas bem específicas, como o lado de “cabeças cortadas”.
Aliás, são várias as cenas de “violência”. Só pra resumir, Alice fica com ferimentos grandes no braço, um dos monstros perde os olhos arrancados por um alfinete e a batalha final não é nada tão light que possa ser considerada livre.
obs.: Eu nunca achei que ia usar os termos “Alice” e “Batalha Final” na mesma frase, mas Tim Burton me possibilitou essa façanha.
Alice é um filme para ver uma vez, achar as imagens lindas, ter calafrios com a história e esquecer. Eu tinha até mais coisas para falar sobre o filme, mas já comecei a achar que não vale tanto a pena. Tim Burton transformou uma das mais incríveis metáforas da sociedade moderna em um filme Blockbuster que nem deverá ficar nas primeiras prateleiras da sua locadora.
Nota 3 (de 10, claro)